ANGIOSPERMAS

 

Angiospermas


    Angiospermas, ou plantas com sementes, constituem a divisão Anthophyta, a qual é dividida em duas grandes classes - Monocotiledôneas ( 65.000 espécies) e Dicotiledôneas (170.000 espécies). As plantas com flores lembram as gimnospermas em seus aspectos reprodutivos essenciais, mas diferem em vários aspectos fundamentais. Nas sementes de angiospermas, por exemplo, o alimento armazenado é proveniente do tecido triplóide exclusivo, chamado endosperma. Os óvulos são envolvidos pelos megasporófilos ( carpelos). A característica reprodutiva distintiva das angiospermas, a flor, é caracterizada pela presença de carpelos.
    A flor é um ramo determinado, que porta esporófilos. Flores individuais podem Ter até quatro verticilos de apêndices, de fora para dentro, estes são: as sépalas ( coletivamente o cálice), as pétalas ( coletivamente a corola), os estames ( coletivamente o androceu) e os carpelos ( coletivamente o gineceu). As sépalas e as pétalas são estéreis, sendo as sépalas freqüentemente verdes e protetoras, recobrindo o botão floral, e as pétalas são freqüentemente divididos em um eixo, o filete, e a antera, que contém quatro sacos polínicos. Os carpelos são usualmente diferenciados em uma parte inferior alargada, o ovário, e uma parte superior, o estilete, que termina no estigma receptivo. Um ou mais destes verticilos podem estar ausentes na flor.
    A polinização nas angiospermas ocorre quando da transferência do pólen da antera para o estigma. Os gametas masculinos são transmitidos pelo grão de pólen, que é o gametófito masculino imaturo. No momento da dispersão, este gametófito pode conter duas ou três células; inicialmente existe uma célula do tubo e uma célula geradora, esta última se dividindo antes e depois da dispersão, dando origem a dois núcleos espermáticos. O gametófito feminino de uma angiosperma é chamado saco embrionário tem oito núcleos quando maduro, um dos quais é a oosfera ( o número de células varia nos diferentes grupos). Ambos os núcleos espermáticos funcionam na fecundação das angiospermas: um deles se une com a oosfera, produzindo um zigoto diplóide, e o outro se une com dois ou, às vezes, mais núcleos polares, dando origem ao núcleo primário do endosperma. Este núcleo divide- se produzindo um tecido nutritivo exclusivo, o endosperma, que pode ser absorvido pelo embrião, antes que a semente amadureça. Além das angiospermas, a dupla fecundação só é conhecida em Ephedra ( divisão Gnetophyta), onde o endosperma é ausente.
    Os ovários (algumas vezes com outras partes florais) desenvolvem - se nos frutos, que envolvem as sementes. O fruto é uma das principais características desta grande divisão de plantas.
    A xenogamia ( fecundação cruzada) nas angiospermas é promovida pela diocia, na qual as flores são estaminadas ou pistiladas e ocorrem em plantas diferentes, ou pela monoicia, onde as flores estaminadas e pistiladas ocorrem na mesma planta. A xenogamia pode ser garantida também pela dicogamia, onde os estames e carpelos de uma determinada flor amadurecem em tempos diferentes, ou então pela simples separação espacial de estames e estigmas na própria flor. A auto - incompatibilidade genética torna a autofecundação impossível, mesmo que estames e estigmas amadureçam ao mesmo tempo e entrem em contato; a auto - incompatibilidade é bastante comum nas angiospermas.
    A autopolinização é característica de muitas angiospermas, incluindo mais da metade das espécies que ocorrem nas regiões temperadas. A polinização freqüêntemente ocorre dentro das próprias flores, algumas vezes antes que elas se abram ( muitas nunca se abrem). A autopolinização resulta na produção de uma alta proporção de indivíduos geneticamente semelhantes, que podem estar bem adaptados a um habitat particular.

A evolução das angiospermas

 

    A origem das angiospermas, há muito tempo objeto de debates, vem sendo investigada através da construção de cladogramos. Tais métodos definiram as plantas com sementes como uma linha evolutiva, ou clado, e as gnetófitas como os parentes vivos mais próximos das angiospermas. A aplicação posterior destes métodos, a melhor compreensão dos fósseis e sua incorporação nas análises e a aplicação da metodologia bioquímica auxiliarão na definição mais acurada das relações entre os grupos de angiospermas e a relação destas com outros grupos.
    Os mais antigos fósseis de angiospermas são grãos de pólen do Cretáceo inferior, de cerca de 127 milhões de anos; a mais antidas flores possuem cerca de 120 milhões de anos. As plantas com flores tornaram - se dominantes mundialmente entre 80 e 90 milhões de anos atrás. As possíveis razões para seu sucesso incluem várias adaptações à resistência à seca, incluindo a evolução do hábito decíduo, bem como a evolução de mecanismos de polinização e dispersão eficientes e freqüentemente especializados. A diversificação primária das angiospermas ocorreu quando os continentes do sul estavam unidos, formando a grande massa de terra do Gondwana, que se separou progressivamente durante a história deste grupo.
    As primeiras angiospermas estão reunidas em dois grupos, um do quais tinha relativamente poucas partes florais e freqüentemente flores unissexais, e outro com flores grandes, robustas hermafroditas. Sépalas são folhas especializadas que protegem a flor em botão, enquanto as pétalas da maioria das angiospermas evoluíram de setames que perderam seus esporângios. Estames evoluíram de estruturas foliáceas para estruturas delgadas com anteras terminais, característica da maioria das angiospermas contemporâneas. Carpelos são estruturas foliáceas que sofreram dobramento ao longo da evolução a fim de recobrir os óvulos. Na maioria das plantas, os carpelos tornaram - se especializados em : um ovário basal alargado, um estilete delgado e um estigma terminal receptivo. A perda de verticilos florais e a fusão ente eles levou à evolução de muitos tipos florais especializados, freqüentemente característicos de famílias em particular.
    A polinização por insetos é básica nas angiospermas, e os primeiros agentes polinizadores eram provavelmente besouros. O fechamento do carpelo, do ponto de vista evolutivo, pode Ter sido um meio de proteção dos óvulos contra a predação de insetos visitantes. Grupos mais especializados de insetos evoluíram mais tarde na história das angiospermas, e vespas, moscas, borboletas e mariposas influenciaram a morfologia fe flores de certos grupos de angiospermas. As abelhas, entretanto, são insetos visitantes de flores mais especializados e constantes, e tiveram provavelmente a maior influência na evolução das flores. Cada grupo de animal visitante está associado a um grupo características florais relacionadas aos sentidos visual e olfativo dos animais. Algumas angiospermas tornaram - se polinizadas pelo vento, liberando grande quantidade de pólen pequeno e pulverulento e apresentando estigmas bem desenvolvidos, freqüentemente plumosos, sendo eficientes na captura de pólen do ar. Plantas polinizadas pela água possuem grãos de pólen filamentosos que flutuam até as flores submersas, ou transmitem o pólen através da superfície da água.
    Flores que são regularmente visitadas e polinizadas por animais com grande demanda de energia, como beija - flores, morcegos e algumas mariposas, devem produzir grandes quantidades de néctar. Então, estas flores devem proteger e ocultar as fontes de néctar de visitantes potenciais com baixa demanda energética, que se saciariam com néctar de uma única flor, ou com flores de uma única planta. Assim, estes animais não se moveriam entre as plantas da mesma espécie, não efetuando a polinização cruzada. A polinização pelo vento pode ocorrer apenas quando as plantas crescem reunidas em grandes grupos, enquanto insetos, aves ou morcegos podem carregar pólen por longas distâncias entre as plantas .
    A cor das flores é determinadas principalmente pelos carotenóides, que são pigmentos lipossolúveis amarelos que ocorrem nos cloroplastos e agem como pigmentos acessórios na fotossíntese, e flavonóides, que são compostos hidrossolúveis presente nos vacúolos. Antocianinas, pigmentos azuis ou vermelhos, constituem a maior classe de flavonóides, sendo especialmente importantes na determinação da cor das flores e de outras partes da planta.
    Frutos são tão diversos quanto as flores das quais derivam, e podem morfologicamente em termos de sua estrutura e desenvolvimento, ou funcionalmente, em relação à maneira de dispersão. Frutos são basicamente ovários maduros, mas se partes florais adicionais estão retidas na sua estrutura, eles são denominados frutos acessórios. Frutos simples são derivados de um carpelo, ou grupo de carpelos fundidos; frutos agregados são derivados dos carpelos livres de uma única flor; frutos múltiplos derivam - se da fusão de gineceus de algumas ou muitas flores. Frutos deiscentes abrem - se para liberar as sementes, enquanto os indeiscentes não se abrem.
    Frutos e sementes dispersos pelo vento são leves e freqüentemente alados ou possuem pêlos que auxiliam sua dispersão. Os frutos de certas plantas liberam suas sementes de modo explosivo. Alguns frutos e sementes são levados pela água; neste caso, podem ser flutuantes e Ter uma cobertura impermeável. Outros são disseminados por aves ou mamíferos e desenvolvem coberturas carnosas que são saborosas e freqüentemente conspícuas para a atração destes animais. Outros aderem a pelagem dos mamíferos, sendo dispersos desta maneira. Formigas dispersam as sementes e frutos de muitas plantas; tais unidades de dispersão possuem um apêndice oleoso típico, o elaiossomo, consumido pelas formigas.
    A co - evolução bioquímica foi um aspecto importante do sucesso evolutivo e diversificação das angiospermas. Determinados grupos de angiospermas desenvolveram vários metabólitos secundários, como alcalóides, que as protegem da maioria dos herbívoros. Entretanto, certos herbívoros ( normalmente aquele com dieta restrita) são capazes de se alimentar destas plantas e são regularmente encontrados associados a estas. Competidores potenciais são excluídos destas mesmas plantas, pois não possuem a habilidade de um padrão contínuo de interação co - evolutiva, e provavelmente as primeiras angiospermas também devem Ter sido protegidas por sua habilidade em produzir substâncias tóxicas aos herbívoros.

 

Desenvolvimento Inicial do Corpo da Planta

 

    As sementes das plantas floríferas consistem em um embrião, um tegumento e substância de reserva. Quando completamente formado, o embrião consiste, basicamente, em um eixo hipocótilo - radicular que contém também um ou dois cotilédones e um meristema apical no ápice do eixo caulinar e no ápice da raiz. Os cotilédones da maioria das dicotiledôneas são suculentos e contêm substâncias de reserva da semente. Em outras dicotiledôneas e na maioria das monocotiledôneas, o alimento é estocado no endosperma e os cotilédones funcionam para absorver compostos mais simples que resultam da digestão daquele alimento. Os compostos mais simples são, então, transportados para regiões de crescimento do embrião.
    Durante o desenvolvimento do embrião, a partir do zigoto, o sistema caulinar e a raiz da planta jovem são iniciados como uma estrutura contínua. Através de uma progressão de divisões ordenadas, o embrião se diferencia em um suspensor e um embrião propriamente dito, dentro do qual os meristemas primários - os precursores da epiderme, tecido fundamental e tecidos vasculares - são formados. O desenvolvimento dos cotilédones pode começar durante ou antes do início dos meristemas primários.
    À medida que o embrião se desenvolve, a adição de novas células é gradualmente restrita aos meristemas apicais. A germinação da semente - reinicio do crescimento do embrião - depende de fatores ambientais, incluindo a água, o oxigênio e a temperatura. Muitas sementes devem passar por um período de dormência antes de serem capazes de germinar.
    A raiz é a primeira estrutura a emergir da maioria das sementes em germinação, capacitando a plântula a fixar - se no solo e absorver água. A maneira pela qual o eixo caulinar emerge da semente varia de espécie para espécie. Muitas dicotiledôneas formam uma dobra ou gancho, em seus hipocótilos ou epicótilos. À medida que o gancho torna - se ereto, a delicada extremidade do eixo caulinar é puxada para fora do solo. Consequentemente, por esta maneira, a delicada extremidade do eixo caulinar fica protegida de injúria que deveria ocorrer em caso contrário, onde a mesma seria puxada através do solo.
    Após um período de crescimento vegetativo, um ou mais meristemas apicais do sistema caulinar tornam - se meristemas apicais reprodutivo, os quais se desenvolvem em flores ou inflorescências.

 

Células e Tecidos do Corpo Vegetativo


    Epiderme Células básicas, células - guarda e células que formam tricomas; células eclerenquimáticas
    Periderme Células do súber; células do câmbio da casca; células parenquimáticas da feloderme; células esclerenquimáticas.
    Xilema Traqueídes; elementos de vasos; células esclerenquimáticas; células parenquimáticas
    Floema Células crivadas; elementos de tubo crivados; células albuminosas; células companheiras; outras células parenquimáticas; células esclerenquimáticas
    Parênquima Células parenquimáticas
    Colênquima Células colenquimáticas
Esclerênquima Fibras; esclereídes

 

Resumo dos tipos de Células


Tipo de célula Características Localização Função


    Parênquima Forma: comumente poliédrica (muitas faces); variávelParede celular: primária e secundária; pode ser lignificada, suberizada ou cutinizadaViva na maturidade Por toda a planta, como tecido parenquimático do córtex, como medula e raios medulares; no xilema e no floema Processos metabólicos tais como respiração, digestão e fotossíntese; reserva e condução; cicatrização de injúrias e regeneração.
    Colênquima Forma: alongadaParede celular: espessamento desigual; somente primária - não lignificadaViva na maturidade Na periferia ( abaixo da epiderme) nos caules jovens em alongamento; geralmente como um cilindro de tecido ou somente em trechos; em faixas ao longo das nervuras em algumas folhas Sustentação no corpo primário vegetal
    Fibras Forma: geralmente muito alongadaParede celular: Primária e secundária espessada - freqüentemente lignificadasFreqüentemente ( nem sempre) morta na maturidade Algumas vezes no córtex, mas freqüentemente associadas com xilema e floema; nas folhas das monodicotiledôneas Sustentação; reserva
    Esclereídes Forma: variável, geralmente mais curtas do que as fibrasParede celular primária e secundária espessada - geralmente lignificada Podem ser vivas ou mortas na maturidade Por toda planta Mecânica; proteção
    Traqueíde Forma: alongada e pontiagudaParede celular: primária e secundária; lignificada; contém pontoações mas não perfuraçõesMorta na maturidade Xilema Principal elemento condutor de água nas gimnospermas e plantas vasculares inferiores; também encontrada nas angiospermas
    Elemento de vaso Forma: alongada, geralmente não tão longa como as traqueídes; vários elementos de vasos unidos pelas extremidades constituem um vasoParede celular: primária e secundária lignificada; contém pontoações e perfuraçõesMorta na maturidade Xilema Principal condutor de água nas angiospermas
    Célula crivada Forma: alongada e pontiagudaParede celular: primária na maioria das espécies; com áreas crivadas; calose freqüentemente associada com a parede e porosViva na maturidade; carece ou contém remanescente de um núcleo na maturidade; sem distinção entre vacúolos e citoplasma Floema Elemento condutor de alimento nas gimnospermas e plantas vasculares interiores
    Célula albuminosa Forma: geralmente alongadaParede celular: primáriaViva na maturidade; associada com a células crivada, mas geralmente não derivada da mesma célula - mãe da célula crivada; tem numerosas conexões de plasmodesmas com a célula crivada Floema Admite - se que desempenhe um papel no movimento do alimento para dentro e para fora da célula crivada
    Elemento de tubo crivado Forma : alongadaParede Celular: primária, com áreas crivadas; áreas crivadas nas extremidades da parede com poros muito maiores do que aqueles das paredes laterais - esta região da parede é denominada placa crivada; calose freqüentemente assoaciada com as paredes e porosViva na maturidade; falta o núcleo na maturidade ou contém apenas remanescentes do núcleo; nas dicotiledôneas e algumas monocotiledôneas contêm uma substância protéica conhecida como proteína - P; vários elementos de tubo crivados em série vertical constituem um tubo crivado Floema Elemento condutor de alimento nas angiospermas
    Células companheira Forma: variável, geralmente alongadaParede celular: primáriaViva na maturidade; intimamente associada com os elementos de tubos crivados; derivada da mesma célula - mãe do elemento de tubo crivado; tem numerosas conexões de plasmodesmas com o elemento de tubo crivado Floema Admite - se que desempenhe um papel no movimento do alimento para dentro e para fora do elemento de tubo crivado


Raiz: Estrutura e Desenvolvimento

 

    Raízes são órgãos especializados em fixação, absorção, reserva e condução. Gimnospermas e dicotiledôneas comumente produzem sistema pivotantes, enquanto monocotiledôneas usualmente produzem sistemas radiculares fasciculados. A extensão do sistema radicular depende de vários fatores, mas a grande massa de raízes de nutrição se encontra nos metros mais próximos à superfície do solo.
    Os meristemas apicais da maioria das raízes contêm um centro quiescente, sendo que grande parte das atividades meristemáticas, ou divisão celular, ocorre a uma curta distância das iniciais apicais. Junto a esta região de divisão celular, duas outras regiões de crescimento - a região de alongamento e a região de maturação - podem ser visualizadas na extremidade da raiz. Durante o crescimento primário, o meristema apical dá origem a três meristemas primários - protoderme, meristema fundamental e procâmbio - que se diferenciam em epiderme, córtex e cilindro vascular, respectivamente. Além disso, o meristema apical produz a coifa, que serve para proteger o meristema e auxiliar a raiz na sua penetração no solo.
    Muitas células epidérmicas da raiz desenvolvem pêlos radiculares, que aumentam grandemente a superfície de absorção da raiz. Com exceção da endoderme, o córtex contém numerosos espaços intercelulares. As células da endoderme, que estão justapostas e limitam o córtex internamente, contêm estrias de Caspary nas paredes anticlinais.    Consequentemente, todas as substâncias que passam pelo córtex para o cilindro vascular ou vice - versa devem atravessar os protoplastos das células endodérmicas. As raízes de muitas angiospermas também possuem uma exoderme, que limita externamente o córtex e também consiste em uma camada compacta de células com estrias Caspary.
    O cilindro vascular consiste em um periciclo e nos tecidos vasculares primários, que estão completamente envolvidos pelo periciclo. O xilema primário comumente ocupa o centro do cilindro vascular e possui projeções que se alternam com cordões de floema primário.
    O crescimento secundário ocasiona uma ruptura no corpo primário da raiz, quando os cordões de floema primário são separados do xilema primário através da formação de xilema e floema secundários pelo câmbio vascular. Nas raízes, o câmbio vascular se origina, em parte, do procâmbio, que permaneceu indiferenciado entre o xilema primário e os cordões do floema primário, e, em parte, do periciclo oposto às expansões do xilema primário. Na maioria das raízes lenhosas, o câmbio da casca da primeira periderme origina - se do periciclo. Como conseqüência, a formação da periderme acaba por isolar e, por último, separar o córtex e a epiderme do resto da raiz.
    As raízes laterais se originam no periciclo e alcançam o meio externo atravessando o córtex e a epiderme.
    Grande parte das raízes são órgãos de reserva e , em algumas plantas como a cenoura, a batata --doce e a beterraba, ela são especializadas para esta função. As raízes tuberosas possuem um abundante parênquima de reserva permedo por tecido vascular

 

O Sistema Caulinar: Estrutura Primária e Desenvolvimento

 

    Os ápices dos sistemas caulinares da maioria das plantas floríferas têm um tipo de organização túnica - corpo, consistindo em uma ou mais camadas de células periféricas (túnicas) e uma massa interna de células ( o corpo). Emboras os tecidos primários do caule passem por períodos de crescimento similares similares àqueles da raiz, o caule não pode ser dividido em regiões de divisão celular, alongamento e maturação do mesmo modo que as raízes. O caule aumenta amplamente em comprimento devido ao alongamento internodal.
    Como na raiz, o meristema apical do sistema caulinar dá origem à protoderme, ao meristema fundamental e ao procâmbio, os quais se diferenciam nos tecidos primários.    Existem três padrões básicos na estrutura primária dos caules, com relação à distribuição relativa sos tecidos fundamental e vasculares primários: os tecidos primários podem se desenvolver (1) como um cilindro oco mais ou menos contínuo, (2) como um cilindro de cordões isolados ou (3) como um sistema de cordões dispersos ao acaso pelo tecido fundamental. Devido a este tipo de organização, o floema encontra - se comumente em posição externa ao xilema.
    Nas dicotiledôneas, a maioria das folhas consiste em lâmina e pecíolo. As lâminas de algumas folhas são divididas em folíolos. Os estômatos são comumente mais numerosos na superfície inferior da folha do que na superior. O tecido fundamental ou mesofilo da folha é especializado como um tecido fotossintetizante e nas mesófitas é diferenciado em parênquima paliçádico e parênquima lacunoso ( esponjoso). O mesofilo é completamente permeado por espaços aeríferos e pelas nervuras, as quais são compostas de xilema e de floema circundados pela bainha parenquimática do feixe. O xilema comumente ocorre no lado superior da nervura, enquanto que o floema ocorre no lado inferior.
    Na maioria da monocotiledôneas, incluindo as gramíneas, a folha consiste em uma lâmina e uma bainha, a qual circunda o caule. As folhas de gramíneas C3, e C4 apresentam diferenças anatômicas. A diferença mais notável é a presença, nas gramíneas C4, e a ausência, nas gramíneas C3, da anatomia Kranz, ou seja, o padrão no qual as células do mesofilo e as células da bainha encontram - se dispostas em duas camadas concêntricas em torno dos feixes vasculares.
    O termo " sistema caulinar " serve não apenas como um termo coletivo para o caule e suas folhas, mas também como uma expressão íntima associação física e de desenvolvimento. As folhas têm origem como primórdios foliares na região periférica do ápice caulinar, e sua disposição é refletida no padrão do sistema vascular do caule. A cada nó, um ou mais traços foliares divergem do caule e entram na folha ou folhas daquele nó. Os cordões procambiais, dos quais os traços foliares são formados, desenvolvem - se logo abaixo do primórdio foliar em desenvolvimento e estão, algumas vezes, presentes abaixo dos locais dos primórdios mesmo antes de estes serem discerníveis.
    As folhas têm crescimento determinado, ou seja, seu desenvolvimento é de duração relativamente curta. Contudo, os ápices caulinares vegetativos podem apresentar crescimento indeterminado ou não - limitado. Em muitas espécies, as folhas que crescem sob altas intensidades de luz são menores e mais espessas do que aquelas que crescem sob baixas intensidades. As primeiras são denominadas folhas de sol e as últimas, folhas de sombra.
    Em muitas plantas, a abscisão foliar é precedida pela formação de uma zona de abscisão na base do pecíolo.
    A mudança no arranjo dos tecidos vasculares e fundamental encontrados na raiz para aqueles encontrados no caule ocorre numa região do eixo do embrião e da plântula denominado de região de transição.
    A floração, em muitas espécies o ápice vegetativo é diretamente transformado em um ápice reprodutivo.
    Caules, assim como raízes, podem apresentar funções de reserva. Exemplos de caules com reservas são os tubérculos, os bulbos e os cormos. Plantas que armazenam água são conhecidas como suculentas. O tecido das plantas suculentas que armazena água é constituído por células de parênquima grandes. Caules ou folhas, ou ambos, podem ser suculentos.

 

Crescimento Secundário em Caules

 

    O crescimento secundário ( aumento em circunferência de regiões que não sofrem mais alongamento) ocorre em todas gimnospermas e na maioria das dicotiledôneas, envolvendo a atividade de dois meristemas laterais - o câmbio vascular e o câmbio da casca ou felogênio.  Plantas herbáceas podem apresentar pouco ou nenhum crescimento secundário, enquanto que plantas lenhosas - árvores e arbustos - podem continuar seu aumento em espessura por muitos anos.
    O câmbio vascular contém dois tipos iniciais - as iniciais fusiformes e as iniciais radiais. Através de divisões periclinais, as iniciais fusiformes dão origem aos componentes do sistema axial, e as iniciais radiais produzem as células de raio, que formam os raios vasculares ou sistema radial. O aumento do câmbio em circunferência é acompanhado por divisões anticlinais das iniciais.
    O primeiro câmbio da casca, ou felogênio, origina - se em muitos caules a partir de uma fileira de células logo abaixo da epiderme. O câmbio da casca produz felema para fora e feloderma para dentro. Juntos, o felema, o câmbio da casca e a feloderma constituem o periderme. Embora a maioria das peridermes seja constituída por células arranjadas de maneira compacta, áreas isoladas, denominadas lenticelas, possuem numerosos espaços intercelulares.
    A casca é constituída por todos os tecidos situados externamente ao câmbio vascular. Em raízes e caules velhos, a maior parte do floema da casca é não - funcional. Os elementos crivados possuem uma vida curta e, em geral, somente os que se formam no ano de crescimento vigente são condutores ou funcionais. Após a primeira periderme, formam - se peridermes subseqüentes, que se originam mais profundamente na casca, a partir de células parenquimáticas do floema não - funcional.
    As madeiras são classificadas como softwoods e hardwoods. As denominadas softwoods correspondem às madeiras de coníferas, e as hardwoods correspondem às de dicotiledôneas ou folhosas. Se comparado com o lenho das dicotiledôneas, o das coníferas é simples, constituído de traqueídes e células parenquimáticas. Alguns comtêm canais resiníferos. A madeira das dicotiledôneas pode conter uma combinação de tipos celulares diferentes: vasos, traqueídes, vários tipos de fibras e células parenquimáticas.
    Camadas de crescimento que correspondem ao crescimento anual são denominados anéis de crescimento anuais. * A diferença na densidade, entre o lenho tardio formado em um anel de crescimento e o inicial formado no anel de crescimento seguinte, torna possível a distinção entre duas camadas de crescimento. A densidade de massa e a densidade básica são bons indicadores da resistência da madeira.
    Em muitas plantas, o cerne não - funcional é visivelmente distinto do alburno, funcional.
    Geralmente, o lenho de reação desenvolve - se do lado inferior da região inclinada do tronco ou do galho nas coníferas, e do lado superior das regiões similares nas dicotiledôneas; estas formações geram um estiramento dos galhos ou do tronco. O lenho de reação é denominado lenho de compreensão em coníferas e de lenho de tensão em dicotiledôneas.

    Cada anel de crescimento das madeiras de região temperada corresponde ao crescimento pelo período de um ano, o que não é verdadeiro para muitas das espécies de regiões tropicais.

 

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